Um teto todo seu
Primeiras páginas do Ensaio de Virginia Woolf sobre “as mulheres e a ficção”, baseado em dois artigos lidos por ela em 1928 na Sociedade das Artes, em Newnham, e na Odtaa, em Girton (e que pode ser acessado no link acima).
Mas, dirão vocês, nós lhe pedimos que falasse sobre as mulheres e a ficção — o que tem isso a ver com um teto todo seu? Vou tentar explicar. Quando vocês me pediram que falasse sobre as mu- lheres e a ficção, sentei-me à margem de um rio e comecei a pensar sobre o sentido dessas palavras. Poderiam significar simplesmente alguns comentá- rios sobre Fanny Burney; alguns mais sobre Jane Austen; um tributo às irmãs Brontë e um esboço do Presbitério de Haworth sob a neve; alguns ditos es- pirituosos, se possível, sobre a srta. Mitford; uma alusão respeitosa a George Eliot; uma referência à
sra. Gaskell, e estaríamos conversados. Mas, numa segunda reflexão, as palavras não pareceram tão sim- ples. O título "As mulheres e a ficção" poderia sig- nificar — e talvez vocês assim o quisessem — a mu- lher e como ela é; ou poderia significar a mulher e a ficção que ela escreve; ou poderia significar a mu- lher e a ficção escrita sobre ela; ou talvez quisesse dizer que, de algum modo, todos os três estão ine- vitavelmente associados, e vocês desejariam que eu os examinasse sob esse ângulo. No entanto, quan- do comecei a ponderar sobre esta última forma de abordar o assunto, que parecia a mais interessante, logo percebi que havia um inconveniente fatal. Eu jamais conseguiria chegar a uma conclusão. Jamais conseguiria cumprir o que é, segundo entendo, o primeiro dever de um conferencista: estender-lhes, após uma hora de exposição, uma pepita de pura verdade para que a guardem entre as páginas de seus cader- nos de notas e sempre a conservem sobre o consolo da lareira. Tudo o que poderia fazer seria oferecer- lhes uma opinião acerca de um aspecto insignifican- te: a mulher precisa ter dinheiro e um teto todo dela se pretende mesmo escrever ficção; e isso, como vo- cês irão ver, deixa sem solução o grande problema da verdadeira natureza da mulher e da verdadeira natu- reza da ficção. Esquivei-me ao dever de chegar a uma conclusão sobre essas duas questões — a mulher e a ficção, no que me diz respeito, permanecem como problemas não solucionados. Mas, para compensar um pouco, vou fazer o possível para mostrar-lhes como cheguei a esse conceito do teto e do dinheiro. Vou expor diante de todos, tão livre e integralmente quanto puder, o encadeamento de idéias que me levou a pensar nisso. (...) (para ler na íntegra: http://brasil.indymedia.org/media/2007/11//402799.pdf)
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